20.11.09

A Ponte Magra

Dit is de magere brug bij de Amstel rivier.
Ik heb zo vaak door deze brug gevaren met mijn boot dat ik had een keer de mogelijkheid om een foto te maken.

Het was een mooie zonnige dag.
Ik voelde de momenten en de wind rechte streek op mijn gezicht.
Mijn camera heeft bescherming aangeboden met het lens en ik kon verder gaan door de massive landschap.


Amsterdam

E se você se lembra quando passamos de barco por esta ponte, eu lhe disse que era a ponte magra? Você então riu e me perguntou o porquê do nome.
Mas eu perdido no seu sorriso curioso me esqueci da pergunta e fiquei imaginando as nuvens se fundindo no rio e eu dilacerando suas mandíbulas pra guardar esse sorriso da catástrofe final.

E por quê sorris se és somente uma garrafa que vem comigo no barco e nem ao menos falas ou pensas ou perguntas?

Só não te jogo no rio por vergonha da gente ecológica que me cerca nos outros barcos, porque eu acho que não há nada de mal nisso e a data da tua decomposição não pode ser mesurada pela ideológica mania da proteção ambiental.

É pela vergonha que respeito teu sorriso de plástico e teus dentes de tampinha.
Sempre serei capaz de aceitar os líquidos da tua boca tão doce.


16.11.09

Oudzuid
E já se foram 5 anos da morte de Theo van Gogh, cineasta e jornalista.
Theo era um dos Amsterdamers mais característicos: Bonachão,
fumante, descabelado, sempre com um cigarro e um copo na mão e,
principalmente, boca grande.

Toda essa liberdade de expressão e tolerância, ele levava aos
extremos. Seus filmes, sua crônicas, seus debates, suas entrevistas.
Mas o peixe morre pela boca, e dessa vez ele foi mostrar em filme
ícones sagrados do corão em situações que os islâmicos não gostaram
muito; foi nomeá-los fornicadores de eqüinos em entrevistas, tudo
isso regado a muita arrogância assumida.

E... sua liberdade de expressão foi sufocada por uma
holandês-marroquino, muito expressivo também, por sinal, este rapaz,
mas num discurso gestual, fatídico. Fatal. Balas cortando a rua
Linau e facas rasgando a barriga.

A Holanda é um país pequeno e calmo, mas que também pode ser bem
brutal.
Aqui existe um um departamento na prefeitura que cuida somente do comparecimento
dos alunos na escola. Por isso, fica muito difícil o aluno matar a aula. Mas tem sido muito comum eles matarem os professores.

A morte de Theo Van Gogh calou muita boca grande e crítica aos mulçumanos: uma verdadeira censura à base de balas e facadas.

11.11.09

Campanha em proteção às baleias.

Não conheço nenhuma estatística, não vi nenhuma pesquisa, e o que eu
observo talvez não seja válido como dado confiável, mas me parece
que a maioria dos brasileiros que vivem na Holanda é composta por
mulheres.
Parece que os holandeses chegaram à mes conclusão que eu:

Mulher, em si mesma, é uma encrenca:
TPM, sensibilidade exagerada, lógica
venusiana pra compreensão marciana dos homens.
E quem vai querer uma mulher holandesa, já que se além de todas
estas encrencas intrínsecas, ainda não rola o mingau. E eu não estou
me referindo à papinha de aveia com leite, mas sim às atividades
sexuais, numa maneira irônica.
E muitos deles, com a ajuda da internet, descobriram o que o Brasil
tem de melhor: "mulé".
Sim, elas têm TPM, aquela lógica que só elas entendem, aquela
sensibilidade exacerbada, aquelas perguntas onde toda resposta é
equivocada, mas pelo menos, elas são carinhosas, sensuais, sexuais,
queridas, companheiras e eu poderia enumerar aqui uma longa série de
bons adjetivos.
Muitas desses brasileiras deixam os trópicos com uma mala cheia de
sonhos, querendo construir nas terras baixas seus mais altos sonhos.
Junto com a roupa, com as inúteis essencialidades, trazem, muitas
vezes escondida, uma saudade que vai se manifestar mais tarde.
Todas têm seus destinos a cumprir, algumas vão ser mães, outras
professoras, médicas, e assim vai, dependendo da aptidão e do
mercado de trabalho, mas a maioria parece seguir um mesmo caminho:
engordar.
O que antes no Brasil era um corpinho de sereia, hoje parece uma
campanha de preservação das baleias. O que antes relembrava o
caminhar de gazela, hoje remete aos movimento dos paquidermes. Ela
antes possuía uma cintura de pilão, hoje é garota propaganda da
fábrica de pneus.
Nos encontros com as brasileiras, reina a abundância.
Por experiência própria, eu sei que o casamento engorda. Quando
solteiros, qualquer sanduíche nos satisfaz, mas casados, sempre há
um jantar ou almoço, e quase sempre, a refeição celebra a união. E
quando a comida serve pra algo mais do que provir de "sustança", é
aí que vem o engorde.
Da mesma forma na depressão e tristeza. Parece que queremos tapar o
buraco da alma abrindo a boca e nos entupindo de alimentos.
Ou seria culpa dos belgas e seus chocolates, dos holandeses e seus
queijos e toda esta variedade de novas guloseimas que encontramos
pela frente?
Fico tecendo imagens de mulheres ansiosas na frente do espelho, num
mundo onde a mídia, que apesar de ser pesada e gorda, prega que o
modelo ideal é o magro, ou talvez, o anoréxico.
Este modelo que certamente não foi criado por homens que gostam de
mulheres, mas sim por viados atrás das passarelas, e é razão de
muita luta quixotesca na frente do espelho, vendo o inimigo tomar o
território com estrias, celulites, culotes e outros tópicos do
sofrimento feminino que eu não sei nomear.
Se o peso e a gordura não forem exageradas e maléficos à saúde, não
acho que um pouquinho de extra seja causa de desespero.
Além de toda a luta contra o mau clima, a língua, o mercado de
trabalho, a cultura, essas meninas ainda têm que lutar contra o
inimigo interno.

Em boca fechada não entra chocolate.




Photobucket


Só essa magricela aí não engorda, mas vejam só que carinha de feliz. Tristeza engorda.

Pra manter uma carinha feliz assim é preciso muita mandioca.

10.11.09

Develstein



Este é o prédio onde morei muito tempo da minha vida. Uns 15 anos, por aí.
Muitos problemas sociais reunidos numa só construção de concreto e ferro, por isso, o governo resolveu por o prédio abaixo, já que não podia por a vida das pessoas pra cima.
Destruindo o prédio, destruiu também muitas vidas que dependiam dele: drogados que ali buscavam drogas, traficantes que ali viviam, e sustentavam suas famílias honestamente através do tráfico.

Os mesmo drogados usam as escadas do prédio pra consumir suas drogas.
Muitos ilegais que alugavam quartos nos grande apartamentos, muitas pessoas de baixa renda que alugavam seus quartos ilegalmente pra poderem aumentar um pouco mais seu minguado salário.

Não tendo como solucionar estes problemas de nenhuma outra maneira, o resultado foi por o prédio abaixo. Como se não pudesse tirar os ratos do porão, destruiram o porão.

No vídeo que eu fiz, o prédio já em seu estado final de destruição.

6.11.09

Panorama na cozinha.

Kitchen Panoramic



Foi quando todos percebemos que não há mais sentido espacial no mundo virtual.
A fotografia é um modo eficiente de preservar as bananas e o arroz, desde que não se vá digerir a moldura.



2.11.09

Alimentando patos e pombos

Oud Zuid - Human feeding doves and ducks.

Tem gente que realmente não se dá conta que não se deve alimentar os animais assim.
A população de pombos em Amsterdam é uma verdadeira praga e os patos também não precisam que se alimente-os. Ele devem e podem conseguir tudo o que precisam da natureza.

Ao invés de alimentar os patos e os gansos, melhor seria comê-los.
Mas cuidado, é proibido pela lei local comer esses animais.

14.10.09

Roubo de Lambretas

Oudzuid
Em Amsterdam é muito comum o roubo de bicicletas e lambretas.
Para dificultar um pouco a vida dos malandros, os donos às vezes têm como solução pintar o veículo para torná-lo facilmente reconhecível e assim desanimar os ladrões.


Ou será que é por pura vaidade e maluquice?

12.10.09

Maconheiro Chic - Amsterdam e a Maconha.

Holanda: tamancos, moinhos, tulipas e ... maconha.
No paraíso dos maconheiros de carteirinha, a maconha é liberada e
vendida nos coffeeshops: chapódromo civilizado, onde se pode apertar
um sem ser discriminado e estar envolvido com criminalidade por
causa de um simples "basico".
Igual à tulipa, a cannabis não é de origem holandesa, mas os
holandeses a desenvolveram até torná-la um produto identificado com
sua própria terra. São técnicas de agropecuária adiantada, em prol
de uma viagem de cabeça.
No Brasil, a maconha vem de longe, prensada e misturada com folhas,
galhos e sabe-se-lá-o-quê, enquanto nos coffeeshop holandeses,
compra-se o chamado "camarão", isto é, somente a flor da cannabis,
sem folhas, sem galhos e SEM SEMENTES. Quem quiser adquirir a
preciosa semente pra replantar, deverá pagar em torno de DEZ EUROS
por unidade.
Curtir um "barato" em Amsterdã, sai caro.
Regulados pela política da porta de trás e pela política da porta da
frente, os coffeeshops são negócios altamente lucrativos.
A política da porta da frente regula a quantidade e a maneira como a
maconha é vendida, enquanto a política do porta de trás, por onde
entra e de onde vem a maconha, não é regulamentada, e existe uma
vista grossa pra isso.
De onde vem a maconha, pois é permitido vender sob licença especial,
mas não é permitido plantar e nem traficar?
A origem da maconha é certamente do circuito criminoso nacional e
internacional. Existe agora um projeto no governo pra regulamentar a
plantação da maconha nacional. O patriotismo chapante dos holandeses
quer justamente tirar a produção de cannabis das mãos do circuito
criminoso.
Pois, justamente aquela maconha tailandesa oferecida no coffeeshop e
o haxixe marroquino não chegaram ali por caminhos legais, apesar que
qualquer um ficar muito legal depois de uma pitada.
O assunto é vasto e vários são os ângulos de abordagem. Eu li muito
sobre o assunto e até cheguei a fumar "unzinho" pra poder
experimentar o assunto, mas tudo começou a ficar engraçado: não paro
de rir e, infelizmente, esqueci tudo que eu iria falar.


Ah, lembrei...

Maconha é bom, o foda é fumar.
Depois de um dia inteiro de trabalho com retardados e malandros, nada melhor do que chegar em casa e dar uma bola.

Mas o problema do baseado é justamente o fumar.

Eu, como não gosto de cigarro e odeio fumar, resolvi investir na meu consumo desta substância tão amena.

Comprei um vaporizador, e agora, fumar um béque ficou chiquésimo e menos maléfico:

Olhe que lindo.




(clique na foto pra ampliá-la.)



Ele é cheio de luzinhas e não queima o fumo, apenas o super aquece exalando uma fumaça básica. O feixes dos LED na fumaça geral um visual bacana iniciando mais cedo a a viagem chapatória:


É dar uma bola e ir pro espaço.





















Basta dechavar a marola e colocá-la sobre um pedestal de ferro e esperar a fumaça subir.

Inclusive mostrei, todo bobo pros vizinhos. A vizinha correu pra comprar um pro filho. O vaporizador, não exala aquela fumaceira. Com o frio do inverno o rapaz não precisa mais sair de casa pra pitar um, pois o aparelho nao exala aquela fumaceira enjoativa pela casa.

Custa apenas 30 euros, e ouvi dizer que alguns supermercados de Amesterdã vão oferecer por um preço mais barato.



Abaixo, foto deste vosso maconheiro feliz e sua nova aquisição:




























Consumo de 2009:  40 gramas.



Neste video abaixo, veja como funciona o comércio da maconha em Amsterdam.
Gravei da TV Holandesa e pus umas legendas básicas.





6.10.09

Cara de palhaço

oudzuid



A Holanda, num interessante auxílio às artes cênicas, está
oferecendo curso e treinamento gratuito de clown para estrangeiros.
Basta a pessoa interessada participar de um curso de cidadania, ou
inburgering, como é aqui chamado. A coroação do curso de palhaço
acontece quando esta pessoa procurar falar o holandês.
O curso de cidadania é obrigatório pra todo o imigrante, mas a
segunda etapa, o falar holandês, não.
Aconselha-se àqueles que não dispuserem de habilidades ou tendências
às artes cênicas, que procurem não falar este idioma, tão sonoro,
tão agradável, tão germanicamente melódico, senão, com certeza,
passarão por candidatos ao ridículo.
Eu mesmo já desisti. Apesar de conseguir levar uma conversação
básica, prefiro me comunicar em inglês, que é uma língua aberta,
normal e que aceita uma gama variável de sotaques.
Geralmente, os holandeses, ao primeiro sinal de alguma falha do
interlocutor, começam a olhá-lo como se ele fosse, na melhor das
hipóteses, um chipanzé.
Aurélio define a língua holandesa como “um baixo alemão falado na
região dos flandres”. Vale à pena todo este esforço pra escarrar
falar esta língua tão útil, falada na imensa Holanda, na Bélgica e
no Suriname?

1.10.09

Vondel Park

Amsterdam Vondel Park Oudzuid Hasselblad

Perto de casa tem um parque.
Sobre o parque, cai a tarde.

29.9.09

Dia do Filme Amador.

Aqui o clip com o qual participei este ano do evento.










Infelizmente este ano não ganhei nenhum prêmio. Mas também, como sempre, sofri muitos precalços: No email da inscrição não havia nada sobre caracteres e logos como do ano passado, tive que acrescentar em última hora tendo que cortar alguns frames e a idéia origi(a)nal que tinha em mente também não pode ser realizada, por falta de gente disponível com quem fazer.

Mas valeu pela participação no festival e trabalhar com os meninos.



Aqui, todos os vídeos que participaram do festival este ano:


27.9.09

Felipe

Meu tio do Rio
se aposentou.
Ela era fotógrafo da revista Manchete.

Deu de presente pra mim
um dos seus antigos instrumentos de trabalho:
um máquina fotográfica Hasselblad.

Uma máquina muito especial e de ótima qualidade.
Ela fotografa tudo que vê pela frente, nos mínimos detalhes.
Perceba na foto, as tonalidades e a atmosfera da criança.

Felipe 2008


Filhos são apenas filhos,
quando os momentos vividos
são todos compartidos,
do resto sobram somente as rimas
e algumas ligações de vida.

24.9.09

Amateur Film Festival Super 8

Super 8 trailler from Marls Kaputz on Vimeo.



Aqui o trailler do clip de 15 segundos que estará concorrendo amanhã ao Amateur Film Festival in Utrecht.

22.9.09

Esperando

Tataiana waiting for the ferry.



Esperando o futuro?
Esperando um bote?

Esperando tudo,
só chegou a noite.

21.9.09

Remco

Photobucket
Certa vez conheci Magdalena e com ela namorei.
Ela tinha um filho chamado Remco que eu não conheci, mas muito ouvi falar.

Dia desses, foi procurar Magadalena na Internet, pois era aniversário dela e queria lhe mandar os parabéns.

Descobri que Remco morreu. A história na internet contava que ele morreu aos 28 anos com 145 kilos, vítima de diabete. Ele teve um enfarto cardíaco, devido ao excesso de peso que a sua depressão lhe provocou.


Ele gastava seus dias em sua casa, tomando coca-cola, comendo pizza, depressivo e engordando.

Remco estava sob tratamente psiquiátrico e segunda Magdalena, ele morreu por falta de cuidados da própria da instituição que cuidava dele.
Ela alega que não foram o suficiente empenhados em curar-lhe a depressão e não se deram conta do seu estado físico.

Magdalena ganhou a causa e botou na bundinha dos psiquiatras que tratavam de Remco. Ela criou este site pra ele:




Na página, pode-se encontrar este texto da mãe para o filho:



Yesterday at 20.30 pm. I was standing in front of your Remco’s apartment, knowing how much you loved your house, the place where your lived the last years in totally isolation.
24 month ago, march 31 2006, you called me and said: “Mom, my throat is really hurting me.”
We laughed, because I probably infected you with the flu.
How could I have known that this would be our last conversation on earth en that the pain in your throat
(pain around the heart) was the start of your death.
April the 1st 2006 at 16.00pm I found you death in your room.
When I think of these terrible moments, it looks like it’s yesterday.
Dear son, in my soul I know that you are doing all right and that is just a matter of earthly time
that I have to go trough in able to see you again, to hold you, to see your beautiful smile and warm eyes.
Everyday you are in my thought, my soul and my heart.
I LOVE YOU
YOUR MOM

Photobucket

9.9.09

VLATKA SIMAC

In 1995 I was working selling newspapers in front of the central station in Amsterdam, when I knew a girl colleague also selling newspapers, coming from Croacia.
She was pretty with black hairs, big eyes and small tits.
I asked if she had a boyfriend, she told me she had, but it didn't matter.
So she gave me her phone nr.

I called her 14 years later, and for my surprise, guess what: The number didn't exist anymore.

Fucking telephone company. How can they do it to me?

So I looked her name in internet and there she was.
She had become an actress:






The same beauty, the black hair and the big eyes. and of course, the small tits.

Photobucket








Then I realized what I had lost taking so long to call her.
If I had called her back at least within 5 years, I should have got a chance to meet this beauty.






Vlatka, please, if you read this post, please let me know about you.

I promise this time to call back within reasonable time.

(photos from her films promotion on internet)

Passeio de Barco




Convidei ele pra passear no Barco,
ele disse que não queria.
Preferiria passear de carro
pois mais longe iria.

Se quiser ir assim tão longe,
que vá então de avião.

Eu vou sair no meu bote,
não me espere que não sei se volto.

4.9.09

Os moinhos.

zaanse schaans
Moinhos me olham
como se não tivessem nada pra fazer
passam seus dias ao vento


Eu ocupado com meus atos
faço de conta que não os percebo

pra mim
moinhos são cegos.

2.9.09

Amsterdam

Amsterdam

AMSTERDAM


O antigo e o novo,
o sol e a chuva,
o amor e o ódio,
a galinha e o ovo.

De tudo que eu escolho
sempre sobra o óbvio.

31.8.09

Pedalando no pais das bicicletas

Fiets in Amsterdam OudZuid



Viver no país das bicicletas não significa viver no “paraíso das
bicicletas”. Nada pior do que pedalar no frio, com uma chuva fina e
fria cortando o rosto.
Lógico que também há sempre o lado positivo de tudo: encarar a vida
de frente e estar muito feliz pela força de pedalar, pois saúde é o
melhor de todos os bens.
O otimismo e a poesia, porém, acabam no pneu furado, no sorriso
engraxado do bicicleteiro, que fará aquele típico serviço holandês
com um preço de se perder o equilíbrio.
Consertar um pneu, em Amsterdã, custa 12 euros. Dá pra alimentar uma
criança na África durante um mês. E são tantos os furos quantos são
os desmazelos. A solução é sujar as próprias mãos, ou comprar um kit
pra conserto de câmeras de ar.
Há que se tomar muito cuidado pra andar de bicicleta em Amsterdã, o
trânsito é louco, composto por bondes, carros, motos, patinadores de
tanga, pedestres, toda a sorte de animais, como gatos, junkies,
turistas e... holandeses.
E, pra servir de tapete a tudo isso, cacos de vidro e cocô de
cachorro.
É muito perigoso pedalar com pressa: do carro estacionado, alguém
abre uma porta, dando uma nova dimensão ao ciclismo: o vôo, com
direito a ambulância pro hospital, nos casos levados mais a sério. A
lei da gravidade é sempre mais forte que a lei do trânsito.
Mas tudo isso é questão de adaptação. É sentar a bunda no selim e
sentir-se em casa. Somos tantos os ciclistas e tanto são os
momentos, que a proporção que sejamos nós os escolhidos pra
fatalidade é muito pequena. Muito maior são as oportunidades para
bons momentos.
Por isso, o pior de tudo é encarar os roubos. Por mais cadeados que
se ponha, por mais cuidado que se tenha, mais dia, menos noite, sua
bicicleta será roubada, porque tem sempre alguém pronto pra estragar
a boa estatística da sua vida. Ano passado me foram cinco. Três
foram minhas. E quando eu finalmente havia aprendido a proteger-me
dos roubos, passaram a roubar as bicicletas do monstrinho do meu
filho.
Depois que roubaram a sua primeira bicicleta, só de raiva e comprei
uma mais bonita ainda e com seguro. Mas os cadeados, aprovados pela
seguradora, não foram suficientes pra conter a vontade dos ladrões.
A última que compramos possui três cadeados e sete regras de como
bem prender uma bicicleta. Apesar de muitas as chaves, são poucas as
esperanças.
Os vagabundos roubam sua bicicleta novinha em folha e vão vender na
praça da Rainha, (Koninginsplein) pelo preço da porção da droga em
uso. Sempre que me roubam a bicicleta, eu fico triste, cabisbaixo,
parado no lugar onde a vi pela última vez, como se ela tivesse voado
embora.
A partir daí, começo a me lembrar dos seus pneus macios e do seu
freio decidido. Nunca pensei que eu iria sentir saudades de um
pedacinho de arame amarrado no guidão como um anel, me protegendo
dos taxistas sanguinários e dos trilhos de bondes traidores.
Mas, eu aprendi com o próprio roubo das minhas bicicletas, como é
fácil “adquirir” uma em Amsterdã. Há muita gente que simplesmente se
esquece de fechar o cadeado, ou o faz de maneira errada.
Nós, seres superiores de carne e lã, estamos sempre querendo chegar
em casa logo, levados por esses bichos de ferro e borracha. Mas as
bicicletas, o que elas querem mesmo é sair por aí livres, nas mãos
de qualquer um, pra se livrarem da nossa tirania de ferrugem e
cadeados.
Esse drama todo, apesar de tudo, é pra quem vive nas “grandes”
cidades da Holanda. Pra quem está nos vilarejos do interior, as
chamadas dorpje, a vida é diferente, e talvez a bicicleta esta
guardada na garagem, esperando um final de semana prometido há
meses.