26.8.08

Teu pau é "bunitinho", disse Lúcia para Agenor levantando-se da cama enrolada num lençol.
Na verdade ela supunha um feio engraçadinho.
Apesar de ter aquele peru horroroso, Agenor era responsável e sério, e deste então, era aquilo que ela mais prezava.

Até então, Lúcia dava importância somente para uma boa pica. Grande, grossa e cabeçuda, que metesse bem e por um longo período, até que ela pudesse atravessar todo o deserto árido de seus medos e frustações, pra poder chegar ao oasis efêmero do orgasmo.

Cansada de homens que não chegavam aos pés dos seus próprios paus, ela preferiria agora sacrificar seus prazeres uterinos em troca de estabilidade na vida, pois afinal ela precisava terminar os seus cursos de corte e costura no SESI, de inglês no SENAI e um de computador no SENAC. Terminados os cursos ela pretendia arrumar um emprego no comércio, uma casinha em Campinas e ser feliz pra sempre.

Mesmo assim ela nunca esqueceria Tibúrcio, que apesar de feio e ter um nome pior ainda, tinha uma pica maravilhosa. Quando deus o pôs no mundo disse, vai Tibúrcio, seja uma pica na vida.
pau

Mas Tibúrcio não passava daquilo. Um pau maravilhoso, mas apenas um pau.
Tinha inteligência de um chipanzé, a fineza de um hipopótamo e era vagabundo como um vira latas.
Ele era um típico escravo do próprio pau.
Vivia pra ele, seguia seus desejos e sua personalidade não era tão forte quanto a do próprio pênis.

Mas Agenor era diferente. Trabalhava há anos numa empresa onde se consertavam geladeiras e era um entendido no assunto. Era bonito vê-lo falar sobre os aspectos técnicos de uma geladeira e como era fácil entender o que era um termostato com o Agenor.